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Meditação e ansiedade sempre estiveram inversamente relacionados. É comum vermos anúncios com fotos  de meditadores, tendo escrito embaixo “no stress”. Mas, o que dizem alguns estudos sobre o tema? Sobre  isso, falaremos hoje. 

O primeiro estudo que focou sua atenção sobre meditadores e estado ansioso foi publicado em 1976, por  Williams, Francis e Durham, utilizando a meditação transcendental. Os voluntários praticaram durante 6  meses e, ao final, viu-se menor tendência a quadros neuróticos, especialmente entre os homens. Além de  perceber o aparente efeito da meditação sobre a ansiedade, esses autores teriam percebido uma ação que  possivelmente varia com o gênero do voluntário. Contudo, vale lembrar que, àquela época, a ansiedade  parecia ser um evento preferencialmente masculino, enquanto a depressão era tida como evento  tipicamente feminino; bem diferente do que ocorre nos dias atuais, quando a freqüência de quadro ansioso,  entre as mulheres, também já atingiu patamares preocupantes. 

A primeira revisão sobre o tema foi feita por WEST, em 1979, mostrando que os trabalhos, de forma geral,  apontavam menor ansiedade e/ou irritabilidade entre meditadores. Um dado importante é que, já neste  artigo, WEST chamava atenção, pela primeira vez, para a “redução do alerta” proporcionada pela  meditação. O cognominado “estado de alerta” resulta na ativação do sistema nervoso simpático – responsável pelo preparo do corpo para as situações de emergência. Quando somos surpreendidos, por  exemplo, pelo encontro com um cão bravo, nossa mente e nosso corpo disparam uma série de reações  psicofísicas, e uma delas é o aumento do “alerta”, a saber, da atenção focada em direção ao item mais  importante naquele momento; neste caso: o cão feroz. Imagine que, antes do susto, você vinha pensando na  vida, nas contas, nas próximas férias, relaxadamente, sem stress. Agora, frente ao risco de levar umas  mordidas, todos aqueles pensamentos vão para um segundo plano, e todo seu foco, toda sua atenção  dirige-se exclusivamente para o animal. Mesmo depois de passado o perigo, sempre que você andar por  aquela rua, ou aquelas adjacências, você estará focado na possibilidade daquele animal estar por lá  novamente; ou seja, você estará alerta. Mais ainda, nós estamos quase sempre “preocupados” com alguma  coisa, seja com o cão bravo, seja com a conta a ser paga, seja com a porta do vagão do metrô que já vai se  fechar, seja com o sinal que já vai ficar vermelho. “Tudo” provoca o nosso alerta, e passamos a viver algo  que talvez pudéssemos chamar de “estado de alerta – ou semialerta – contínuo”. Naturalmente, há uma  relação entre esse alerta e o “disparo” do sistema nervoso simpático. É como se estivéssemos sempre  “prontos para o combate”, mesmo que não exista combate algum, mesmo que não haja nenhum perigo real  e iminente. O alerta permanece, e o nosso corpo se desgasta com essas reações desnecessárias, tal como um  automóvel que usasse a primeira marcha para arrancar em uma situação de emergência, mas depois fosse  conduzido sempre em primeira marcha, forçando o motor desnecessariamente. É claro que o automóvel  não suportaria isso para sempre; e é claro que nosso corpo também não pode tolerar isso indefinidamente.  Por isso, quando WEST descreveu a redução do alerta entre meditadores, acabou indiciando um efeito  muito desejável sobre indivíduos ansiosos. 

Em 1982, o Prof Herbert Benson escreve sobre o método, focando-se no que o grupo de Harvard chama de  “resposta de relaxamento”, ou seja, o estado psicofísico resultante de algumas intervenções, especialmente a  meditação. A resposta de relaxamento tem, entre seus itens, a diminuição dos parâmetros do alerta; ela  cursa com menor freqüência cardíaca, diminuição da freqüência respiratória, redução do tônus muscular,  menor metabolismo (diminui o gasto de energia), dentre vários outros. Segundo ele, os meditadores 

apresentavam a resposta de relaxamento, e frequentemente relatavam uma sensação que chamavam de  “paz mental”. 

Vários outros autores (MILLER et al., 1995; SHAPIRO et al., 1998; KOZASA et al, 2005; COPOLLA, 2007;  TAN ET al., 2007; ), pesquisaram a pontuação de ansiedade entre meditadores, sempre percebendo a clara  redução do escore em meio aos praticantes. 

Tantos são os relatos que nos parece clara o efeito da meditação como redutor de ansiedade. Apesar disso,  os organismos internacionais (Cochrane, NCCAM, AHQR), ao revisarem os artigos relacionados à técnica,  consideram que precisa haver estudos ainda mais amplos e, frequentemente, queixam-se da falta de  metodologia empregada nos diferentes trabalhos. De fato, há pesquisas com número pequeno de casos, ou  com voluntários previamente afeitos aos esperados resultados (ex: alunos de yoga), ou falta de  operacionalização adequada (ex: associando meditação com imaginação criativa, ou palestras de  motivação, etc). Contudo, com metodologia mais esmerada, acreditamos que é apenas questão de tempo,  provar-se o papel da meditação na ansiedade. 

Quem medita, logo percebe o quanto este método reduz o stress, foca a atenção no agora, relaxa o corpo,  aumenta a concentração e, especialmente, nos faz aceitar melhor algumas coisas que, antes, facilmente nos  irritariam. 

Em 2001, a Organização Mundial de Saúde mostrava em seu relatório anual que 7,9% da população  mundial parecia sofrer de ansiedade a ponto de buscar ajuda médica. Multiplique-se isso pelo total de  habitantes do planeta e considerem-se os casos sub-relatados (que não chegam a procurar ajuda), e talvez  chegássemos a algo próximo de um bilhão e quinhentos mil habitantes (1/4 da população global) ansiosos.  Sendo isto verdadeiro, pergunta-se: onde vamos parar? Até onde vai a saúde humana, antes de adotarmos  medidas que evitem essa pandemia de ansiedade? 

Essas questões chamam por outras: como abordar um número tão grande de pessoas? Como fazer a  profilaxia dos danos pela ansiedade? Como obter recursos para evitar as mortes decorrentes das doenças  do stress? Para isso, precisaríamos de um método eficaz, de baixo custo, raros efeitos colaterais e altamente  efetivo. 

Esse método existe, e se chama meditação. Imagino, através da meditação, uma ação ampla e eficaz, contra  a epidemia de ansiedade que assola os terráqueos de hoje. 

Mais do que remédio para a ansiedade instalada, a meditação pode ser o método do futuro, que não quer  apenas curar a doença, mas sim evitá-la, reduzindo custos e sofrimento; melhorando a saúde e o bem-estar. 

Para isso, temos trabalhado. Sobre este tema, focamos nossos esforços. 

by Roberto Cardoso

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